Projeto quer implantar moradia assistida para autistas adultos em São José dos Campos

“Quem vai cuidar do meu filho quando eu não estiver mais aqui?” : projeto propõe moradia assistida para autistas adultos em São José

Projeto do vereador Senna cria debate inédito sobre futuro de adultos com TEA severo e acolhimento das famílias no município

Uma pergunta silenciosa acompanha milhares de famílias de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em todo o Brasil: “quem vai cuidar do meu filho quando eu não estiver mais aqui?”

Foi a partir dessa realidade, muitas vezes invisível ao poder público, que o vereador Senna (PL) protocolou o Projeto de Lei 295/2026, que autoriza a criação do Programa Municipal de Moradia Assistida para adultos com TEA que necessitam de alto nível de suporte.

A proposta abre um debate inédito em São José dos Campos sobre o envelhecimento das pessoas com autismo e, principalmente, sobre a angústia enfrentada por pais e mães que vivem sem saber quem cuidará de seus filhos no futuro.

Autistas adultos: uma realidade pouco discutida

Grande parte das políticas públicas voltadas ao autismo concentra esforços na infância. Mas, segundo o vereador, existe uma geração de adultos com TEA severo que segue dependente de cuidados permanentes, enquanto seus pais e cuidadores envelhecem.

O projeto propõe um modelo de moradia assistida com acompanhamento multidisciplinar, suporte especializado e ambiente adaptado para garantir dignidade, autonomia possível e inclusão social.

“Existe uma dor silenciosa dentro de milhares de famílias. Muitos pais vivem com medo do futuro dos filhos. Precisamos começar essa discussão agora, com responsabilidade e humanidade”, afirma Senna.

Muito além de abrigo

A proposta deixa claro que moradia assistida não significa abandono familiar. Pelo contrário: o objetivo é criar um ambiente estruturado, humanizado e seguro, capaz de oferecer continuidade no cuidado e qualidade de vida.

O programa prevê atuação integrada de assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais e cuidadores especializados, além de ações voltadas à inclusão comunitária e ao suporte às famílias.

Segundo a justificativa do projeto, estudos nacionais e internacionais apontam que intervenções contínuas e suporte multidisciplinar melhoram significativamente aspectos como comunicação, autonomia, adaptação social e qualidade de vida de pessoas com TEA.

São José entra em debate que cresce no Brasil

O texto também cita experiências semelhantes já implantadas em cidades brasileiras, incluindo centros especializados que se tornaram referência no acolhimento de pessoas com autismo e suas famílias.

Para Senna, São José dos Campos precisa começar a discutir o tema antes que a situação se torne ainda mais crítica.

“Hoje falamos muito sobre diagnóstico infantil, mas quase ninguém fala sobre o autista adulto. E essas famílias precisam ser vistas, acolhidas e protegidas.”

Projeto alinhado à legislação federal

A proposta segue diretrizes da Lei Berenice Piana e do Estatuto da Pessoa com Deficiência, que garantem direitos relacionados à moradia digna, inclusão e suporte à vida independente.

O projeto também conta com apoio da deputada estadual Leticia Aguiar, que atua em pautas ligadas ao TEA e à inclusão social.

Debate sobre o futuro

Mais do que criar uma política pública, o projeto busca trazer para o centro do debate um tema que, segundo especialistas e famílias, ainda é tratado de forma insuficiente no Brasil.

“Não podemos esperar o desespero chegar para agir. O poder público precisa oferecer dignidade, proteção e tranquilidade para essas famílias”, conclui o vereador.

Pelo Bem Vale

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