MORTE DE BEBÊ DE 10 MESES EM UPA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS LEVANTA QUESTIONAMENTOS E GERA SINDICÂNCIA

A morte do pequeno Anthony Gabriel Souza, de apenas 10 meses, morador do Parque dos Ipês, em São José dos Campos, gerou comoção e levantou questionamentos sobre o atendimento prestado ao bebê na rede pública de saúde. Anthony morreu às 9h da manhã desta segunda-feira (27), na UPA do Campo dos Alemães.

De acordo com o médico que atestou o óbito, a causa da morte foi asfixia mecânica por sufocação direta e broncoaspiração de conteúdo gástrico.

Familiares afirmam que o bebê vinha apresentando problemas respiratórios havia cerca de duas semanas, em um quadro de bronquiolite, e que procuraram atendimento diversas vezes em busca de ajuda. Segundo os relatos, a criança era medicada e liberada, sem internação, apesar do quadro que, na visão dos parentes, exigia cuidados mais intensivos.

A família também levanta questionamentos sobre a conduta médica adotada ao longo do atendimento. Entre as alegações, estão a prescrição de uma medicação em dose considerada alta, que teria provocado episódios de taquicardia, além de dúvidas sobre a indicação de medicação inalatória — chamada pela família de “bombinha” — que, segundo os parentes, teria agravado o quadro clínico.

Outro ponto relatado pela família envolve a tentativa de reanimação feita na unidade. Os familiares alegam que, durante os procedimentos de emergência, teriam ocorrido complicações, incluindo fraturas em costelas e perfuração de pulmão, o que reforçou as suspeitas e o pedido por apuração rigorosa do caso.

Diante da repercussão, a Prefeitura de São José dos Campos divulgou nota oficial lamentando a morte do bebê e informando a abertura de uma sindicância para apurar todos os fatos relatados.

Segundo a administração municipal, a UPA Campo dos Alemães, gerenciada pelo Cejam (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), nega que tenha havido negligência e sustenta que todos os protocolos clínicos foram cumpridos.

Conforme a nota da prefeitura, Anthony foi atendido em três ocasiões na unidade.

No primeiro atendimento, em 21 de abril de 2026, o bebê apresentou tosse seca e rouquidão. Segundo a unidade, a criança estava em bom estado geral, sem febre e sem sinais de gravidade. Foi medicada, submetida a exame de raio-X do tórax — que não apontou alterações — e apresentou melhora, sendo liberada com orientações médicas à família.

No segundo atendimento, em 25 de abril, Anthony retornou com queixas de náuseas, vômitos e tosse. De acordo com a prefeitura, ele foi novamente avaliado, passou por exames, recebeu medicação e não apresentava sinais de infecção ou gravidade, sendo novamente liberado com orientações e recomendação de retorno em caso de piora.

Já no terceiro atendimento, na manhã desta segunda-feira (27), a família retornou à UPA informando que encontrou o bebê desacordado e com coloração arroxeada nas extremidades. Ainda segundo a nota oficial, a equipe iniciou imediatamente os procedimentos de emergência, com tentativas de reanimação e suporte intensivo.

Apesar dos esforços da equipe médica por mais de uma hora, o bebê não respondeu e o óbito foi constatado.

O caso provocou forte repercussão e reacendeu debates sobre a qualidade do atendimento na saúde pública, especialmente em casos pediátricos de urgência. Enquanto a família cobra respostas e possível responsabilização, o município afirma que a sindicância irá esclarecer as circunstâncias do caso.

A investigação deve apurar tanto os relatos da família quanto os protocolos adotados pela unidade de saúde, podendo apontar se houve falhas no atendimento ou se os procedimentos seguiram integralmente as normas médicas.

A morte de Anthony Gabriel Souza deixa uma família em luto, uma cidade comovida e muitas perguntas ainda sem resposta. O caso agora passa a ser acompanhado com expectativa sobre o resultado da apuração oficial.

Pelo Bem Vale

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