Mpox, Oropouche e Nipah: os vírus que colocam o mundo em alerta

Doenças virais que pareciam distantes ou sob controle voltaram ao radar das autoridades de saúde em todo o mundo. Mpox, Oropouche e Nipah são alguns dos patógenos que preocupam especialistas pela capacidade de espalhamento, gravidade e, principalmente, pela falta de tratamentos específicos.

Mpox: variantes diferentes, risco real

Conhecido anteriormente como monkeypox, o vírus mpox foi identificado nos anos 1950 e, por décadas, permaneceu restrito principalmente à África Subsaariana. Esse cenário mudou em 2022, quando um surto global levou a doença a mais de 100 países, impulsionado pela transmissão entre humanos por contato próximo.

O vírus possui diferentes variantes, chamadas de clados. O clado I é considerado mais grave, enquanto o clado II apresenta quadros mais leves. Após a queda dos casos do surto global, o clado II acabou se estabelecendo em várias regiões do mundo.

Desde 2024, países da África Central passaram a registrar aumento de casos do clado I. Já a partir de agosto de 2025, infecções por essa variante mais grave foram identificadas nos Estados Unidos, inclusive em pessoas sem histórico de viagem ao continente africano.

Para 2026, a evolução dos surtos é considerada imprevisível. Existe vacina disponível, mas ainda não há tratamentos específicos comprovadamente eficazes.

Vírus Oropouche: a ameaça invisível.

Outro vírus que preocupa os especialistas é o Oropouche, transmitido por mosquitos e pequenos insetos conhecidos como maruins. Identificado nos anos 1950 em Trinidad e Tobago, o patógeno provoca febre, dor de cabeça e dores musculares, podendo causar recaídas semanas após a recuperação inicial.

Por décadas, os registros ficaram praticamente restritos à região amazônica. No entanto, desde os anos 2000, o vírus passou a se espalhar por áreas mais amplas da América do Sul, América Central e Caribe. Nos Estados Unidos, os casos geralmente estão associados a viajantes.

O principal motivo de alerta é que o inseto transmissor está presente em grande parte das Américas, inclusive no sudeste norte-americano, o que levanta a possibilidade de expansão geográfica em 2026. Não existe vacina nem tratamento específico para a doença.

Nipah: alto risco e alta letalidade

O vírus Nipah, que voltou ao noticiário após novos casos na Índia, é considerado um dos patógenos mais letais do mundo. A taxa de mortalidade pode ultrapassar 70% em alguns surtos.

Transmitido inicialmente por morcegos, o vírus pode passar para humanos e, em determinadas situações, ser transmitido de pessoa para pessoa. Apesar de os episódios recentes terem sido controlados, a Organização Mundial da Saúde mantém o Nipah na lista de prioridades globais devido ao alto potencial de causar surtos graves e fatais.

Pelo Bem Vale e Litoral

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