Na madrugada do dia 25 de dezembro, noite de Natal, um jovem de 22 anos foi baleado com tiros de borracha durante uma ação da Guarda Civil Municipal (GCM) de São José dos Campos, no Jardim Jussara. O caso gerou revolta e questionamentos por parte da família, que afirma não haver justificativa para o uso da força.
Cauê Yan, de 22 anos, trabalha durante o dia em uma retífica de motores e, à noite, atua como motoboy. Segundo o pai, Everton Luiz, o jovem havia acabado de sair da comemoração de Natal com a família, por volta de 0h26, quando seguiu de motocicleta em direção à zona sul. Ele estava acompanhado de um irmão e de um primo, cada um em sua moto.

De acordo com o relato do pai, todos utilizavam capacete, as motocicletas estavam regularizadas e não possuíam escapamentos barulhentos. Pouco depois de saírem, uma viatura da GCM, com três agentes, teria iniciado uma perseguição. Durante a ação, Cauê foi atingido por quatro disparos de balas de borracha.
Ainda segundo a família, os outros dois motociclistas conseguiram fugir assustados, enquanto Cauê, mesmo ferido, seguiu por alguns metros até cair. Os disparos causaram perfurações graves: uma bala atingiu a região do pulmão, outra o fígado, além de ferimentos no rim, costelas e baço. Um dos tiros também atingiu a motocicleta.
O jovem foi levado ao Hospital da Vila Industrial. O pai afirma que a GCM teria se recusado a prestar socorro no local e que o SAMU não chegou a ser acionado a tempo, motivo pelo qual ele mesmo conduziu o filho ao hospital. Cauê permaneceu internado na UTI, em estado grave, entre a vida e a morte. Atualmente, segundo a família, ele já deixou a UTI e segue em recuperação no quarto.

A família reforça que Cauê não estava armado, não possui antecedentes, não tem tatuagens, estava de capacete e pilotava uma moto regularizada. “Ele saiu de casa bem, feliz, comemorando o Natal com a família, e minutos depois foi baleado quatro vezes. Não havia motivo para isso”, desabafa o pai.
Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos informou que, na madrugada do dia 25 de dezembro, a GCM realizou uma ação de dispersão no Jardim Jussara após denúncia de perturbação do sossego público, envolvendo aglomeração de pessoas e motocicletas sem emplacamento, conduzidas por indivíduos sem capacete.
Ainda segundo a administração municipal, durante a ação, alguns participantes teriam hostilizado a equipe, o que motivou o uso de armamento de menor potencial ofensivo, com disparos de elastômero.
A Prefeitura afirma que quatro motocicletas fugiram e que um dos condutores foi abordado posteriormente, apresentando lesões leves. O atendimento de saúde teria sido acionado pela GCM, mas a família optou por levar o jovem ao hospital por meios próprios. A nota informa ainda que a equipe acompanhou o caso no hospital para o registro da ocorrência.
O caso deve ser apurado para esclarecer as circunstâncias da ação, a proporcionalidade do uso da força e as divergências entre a versão oficial e o relato da família.
Pelo Bem Vale e Litoral


